A Ergonomia e a Ginástica Laboral ferramentas muito eficientes na saúde do trabalhador

A Ergonomia e a Ginástica Laboral

O trabalho não deve tornar-se o campo ideal para o desenvolvimento de patologias e angústias. A fim de auxiliar inúmeros trabalhadores, surgiu oficialmente, em 12 de julho de 1949, a ergonomia, que configura, planeja e adapta o trabalho ao homem. Define-se como um conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem, necessários à concepção de máquinas, dispositivos e ferramentas que possam ser utilizados com o máximo de segurança, conforto e eficiência. Como o trabalho (e, muitas vezes, suas conseqüências dolorosas) nasceu bem antes dessa recente ciência, alguns empresários e trabalhadores viram-se “obrigados” a adotar (inconscientemente) atitudes e pensamentos ergonômicos, no início deste século. Operários poloneses praticaram, em 1925, a “Ginástica de Pausa”, cujo exemplo foi seguido por holandeses e russos, após alguns anos. Tal ginástica, atualmente denominada ginástica laboral (GL), já era utilizada como ferramenta ergonômica, para melhorar a saúde do trabalhador e aumentar a produtividade. Após certa resistência dos empresários brasileiros (temendo não ter lucro com este investimento), a Ginástica Laboral vem adentrando nosso ambiente de trabalho, desde 1973, onde ganha tanto o empregado quanto o patrão. Apesar do empresário indiscutivelmente lucrar com a diminuição do absenteísmo e aumento da produtividade, é o empregado que sente, “na pele”, os inúmeros benefícios desta atividade, promovendo sua qualidade de vida, inclusive tornando-o mais consciente de seus direitos.

Fica difícil falar de Ginástica Laboral sem citar informações básicas sobre os D.O.R.T. (muitas vezes citado como LER). Os D.O.R.T (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) são: transtornos funcionais, transtornos mecânicos e lesões de músculos e/ou de tendões e/ou de fáscias e/ou de nervos e/ou de bolsas articulares e pontas ósseas nos membros superiores, ocasionados pela utilização biomecanicamente incorreta dos membros superiores, que resultam em fadiga, queda da performance no trabalho, incapacidade temporária e, conforme o caso, podem evoluir para uma síndrome dolorosa crônica, nessa fase agravada por todos os fatores psíquicos (inerentes ao trabalho ou não) capazes de reduzir o limiar de sensibilidade dolorosa do indivíduo.

Os D.O.R.T., que evoluem com rapidez, podem ser controlados, se diagnosticados no início da manifestação dos sintomas. Tais distúrbios podem apresentar-se como fadiga, falta de resistência, fraqueza, tremores, sentimento de peso, falta de coordenação, dormência dos membros, dor ou irritação dos membros afetados, entorpecimento, formigamento ou perda de sensação, inabilidade ao manusear objetos, dificuldade ao abrir e/ou fechar as mãos, articulações enrijecidas, dores ou dormência nas mãos e punhos ao acordar e no decorrer da manhã, mãos freqüentemente frias, necessidade de automassagem freqüente, dificuldade ao executar movimentos precisos. Entre trabalhadores de escritório, os usuários de computador parecem ter mais queixas físicas, relacionadas a suas ocupações. Em pesquisas publicadas tendo como amostra usuários de computador, aproximadamente 33% informaram problemas de saúde: a região lombar, pescoço e dor no ombro responderam por 66% das reclamações, enquanto mais de 50% reclamou de tensão nos olhos e aproximadamente 15% informou sobre problemas nos cotovelos e danos nos braços, atribuídos a movimentos repetitivos.

Com o intuito de melhorar estas e outras condições de trabalho insatisfatórias, surgiu a ergonomia que poderia, por exemplo, ajudar na prevenção dos D.O.R.T. e aliviar o desconforto de trabalhadores de escritório, através da Análise ergonômica do trabalho (AET).

Os D.O.R.T. costumam manifestar-se em trabalhadores que utilizam microcomputadores acima de quatro horas diárias por, em média, dez anos. Os digitadores foram os primeiros trabalhadores a fazerem parte do grupo de risco do desenvolvimento dos D.O.R.T., pela existência dos seguintes fatores: repetitividade, postura indevida e teclados excessivamente duros, obrigando os trabalhadores a dispensarem muita força nas mãos, ocasionando lesões. Os trabalhadores da fábrica também sofrem com os D.O. R. T, principalmente prensadores, os quais o mais comum é o aparecimento das bursites e cervicalgias, PIRES DO RIO (1998). Em trabalhadores dos depósitos e empilhadeiras é observado o aparecimento de lombalgias.

Segundo o Informativo da Legislação de Segurança e Medicina do Trabalho (LSMT) – Associação brasileira para previdência de acidentes (ABPA), “para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho”. Tal análise poderia apontar, dentre outros fatores, a utilização de mobiliário e equipamentos corretos. Mais especificamente, o trabalhador que utiliza o computador, para efetuar a maioria das funções realizadas, durante sua jornada de trabalho (caracterizando suas tarefas com exigência de esforço repetitivo), é respaldado pela legislação, pois tem direito a “uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos na jornada normal de trabalho”. Todavia, o que realmente acontece é que o próprio trabalhador desconhece (ou finge ignorar) os benefícios que este direito, assegurado por lei, asseguralhe, pois muitos preferem digitar ininterruptamente, com o intuito de sair mais cedo.

 

Fonte: Site empresa Prize Saúde – www.prizesaude.com

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