ficar em forma
como sair do sedentarimos

A ação do desenvolvimento tecnológico sobre a humanidade, através dos séculos, causou uma série de transtornos ao seu corpo. O primeiro deles surgiu, com certeza, devido a necessidade de o homem transportar seus primeiros artefatos, armas e ferramentas. Como a maneira mais conveniente de realizar esta tarefa utilizava as próprias mãos, o homídeo primitivo obrigou-se a adotar, a partir de então, a postura ereta. É provável, pois, que daí em diante se tenha inaugurado a “era das lombalgias” e das agressões posturais.

O corpo humano necessita de certa quantidade diária de movimento, para sentir-se bem. Ainda mais: o movimento é necessário à saúde. KUNTZLEMAN (1978) relata que:

(…)o Dr. Donald Cooper da Oklahoma State University estima que somente 2% dos americanos adultos realizam uma quantidade suficiente de exercícios físicos no seu cotidiano laboral, ao passo que, há cem anos atrás, pelo menos 50% exercitavam-se adequadamente durante o trabalho.

O resultado da atual negligência com a movimentação, configura-se sobretudo expansão das hipocinesias.

Hipocinesia é uma palavra composta pelo prefixo “hipo”, indicativo de pouco, insuficiente, acrescido do radical “cine”, significando movimento, e do sufixo “ia”, no caso relativo à doença: ou seja, refere-se aos males causados pela falta ou insuficiência de movimento.

Embora FERREIRA (1986, p. 898), atribua à hipocinesia o sentido de “diminuição anormal de função ou atividade motora”, na área da saúde ela vem, cada vez mais, sendo utilizada na acepção apresentada no parágrafo anterior, expressando doenças hipocinéticas.

Fundamentando-se em MELLEROWICZ & MELLER, (1979), ao se referirem a KRAUS (1961), podem-se definir as hipocinesias ou doenças hipocinéticas nos seguintes termos:

Amplo complexo de modificações orgânicas funcionais ocorridas em quase todos os sistemas, devido à falta de atividade física coadjuvada por alimentação excessiva e mal balanceada, fumo e alcoolismo.

Não há dúvidas de que o sedentarismo é uma das principais causas para o favorecimento e manutenção de algumas obesidades. Há muito menos gordos entre pessoas ativas do que entre as sedentárias; quando analisamos sob o aspecto da mortalidade por doença cardiovascular, verificamos que existe uma relação inversa entre esse fato e a prática de atividade física. Portanto, pode existir um fator de confusão entre a obesidade com aumento da mortalidade, uma vez que o obeso é naturalmente mais sedentário.

A inatividade física aparece mais como uma conseqüência da obesidade do que propriamente uma causa (Klesges et al., 1992), embora pesquisas epidemiológicas mostrem que a transmissão genética da variabilidade da atividade física dos pais é de 20% (Perusse et al., 1989). Ainda, o baixo dispêndio de energia com acelerado aumento de peso de recém-nascidos de mães obesas é significativamente diferente das crianças de mães de peso normal, constituindo-se num forte preditor genético de obesidade (Roberts et al., 1988).

Baixos níveis de atividade física estão associados com um aumento dos riscos da obesidade (U.S Departamento of  Health and Human Services, 1996). O ambiente da sociedade moderna tem um papel desencorajador para a prática da atividade física como, por exemplo: os avanços tecnológicos na área do lazer (televisão, eletrodomésticos, computadores, controles remotos), aumentando o tempo diário em atividades sedentárias (Dietzetal., 1981., U.S Department of  Health and Human Services, 1996).

Como preditor de mortalidade, talvez haja uma supervalorização da obesidade em detrimento do exercício, como fator de risco para a morte prematura do obeso. O papel que a atividade física tem na prevenção e tratamento da obesidade ainda não está totalmente esclarecido. Dependendo da maneira que a atividade física afeta as reservas de gordura corporal, há vários modos de prevenção, no ganho de peso, para evitar a obesidade. Três são os caminhos através dos quais a atividade física pode influenciar a gordura corporal:  o aumento do gasto total de energia, o equilíbrio no balanço dos macronutrientes (em particular das gorduras) e o ajuste entre a da energia ingerida e a gasta. Estudos experimentais mostram que a atividade física regular melhora a composição corporal (Bouchard et al., 1993).

A inatividade física e a obesidade são considerados, isoladamente, fatores de alto risco de doença arterial coronariana (Project PACE, 1992). Os primeiros dados a mostrar uma relação entre o estilo de vida e a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, foram apresentados pelo grupo norte-americano do Centro de Controle de Doenças (CDC) em 1976, evidenciando que o estilo de vida em relação a outros fatores como a genética, a assistência médica e o ambiente contribui em 54% para o risco de morte por cardiopatia, 50% para o risco de morte por acidente vascular cerebral e 37% para a morte por câncer. Levando em conta todas as causas de mortalidade o estilo de vida seria responsável por 51% do risco de morte. Considerando as doenças cardiovasculares como uma das principais causas de mortalidade, as evidências apontam para as vantagens das mudanças do estilo de vida: o indivíduo sedentário que passa a ser pelo menos um pouco mais ativo já diminuiria para 40% o risco de morte por doenças cardiovasculares. Estudos epidemiológicos e experimentais demonstram uma correlação positiva entre a atividade física e a diminuição da mortalidade, sugerindo também um efeito positivo nos riscos de enfermidades cardiovasculares, no perfil dos lipídeos plasmáticos, na manutenção da densidade óssea, na redução das dores lombares e melhores perspectivas no controle de enfermidades respiratórias crônicas e no diabetes. Tem sido também relatados efeitos positivos no tratamento primário ou complementar da arteriosclerose, da enfermidade venosa periférica, da osteoporose assim como a menor prevalência de certos tipos de câncer em indivíduos ativos. Mas os benefícios da atividade física regular não se restringem aos aspectos organicos. Estudos de meta-análise relatam também benefícios psicológicos a curto prazo (melhora da auto-imagem, do humor e do auto-conceito) e a longo prazo (diminuição da ansiedade, do estresse e da depressão). Mais recentemente o impacto tem sido verificado também na longevidade da população.

Outros estudos demonstraram que mesmo pessoas que foram sedentárias até os 40 anos mas, a partir de então, passaram a adotar um estilo de vida ativo, tiveram um ganho médio de dois anos e meio na expectativa de vida.

Pesquisas mostram que aproximadamente 50% dos participantes abandona o programa de exercícios durante os primeiros 3 a 6 meses.

A descoberta de  alguma habilidade pessoal em realizar exercícios pode facilitar em atingir o objetivo de perder peso, ao mesmo tempo que a monitorização do progresso e o reforço adequado contribuem para a continuidade da atividade física (Dishman, 1982).

Os efeitos que a literatura científica aponta para esse benefícios do exercício são:

  • Aumento do gasto energético. Estímulo à resposta termogênica: aumentando a taxa metabólica de repouso e termogênese induzida pela dieta. Aumento na capacidade de mobilização e oxidação da gordura.
  • Melhora do condicionamento físico e da circulação cardíaca, diminuição da pressão sanguínea, aumento da capacidade vital.
  • A sensação de fome, embora de pouca duração, foi suprimida significativamente logo após os exercícios físicos intensos (King et al., 1994). Os de baixa intensidade, porém mais prolongados (60 minutos), suprimem a fome por espaço de tempo maior (Reger et al., 1984). Isso vai contra a idéia popular que o exercício aumenta a fome.
  • A mobilização de gordura abdominal e visceral provocada pelos exercícios físicos foi demonstrada por Tremblay et al., 1988, mas os depósitos de gorduras femuro-glúteas foram mais resistentes.
  • O exercício leva a um aumento do colesterol HDL e uma diminuição do LDL e dos triglicerídeos. Estas modificações são uma consequência do aumento da atividade da LPL muscular e da diminuição da insulina e da atividade da lipase hepática.
  • Efeitos psicológicos: melhora da auto estima, ansiedade e depressão.
Efeitos no peso, alimentação, composição corporal, tecido adiposo e gorduras circulantes:
  • Os pacientes obesos perdem mais rapidamente peso tanto de tecidos graxos como de massa magra.
  • A diminuição de peso não e imediata, se não que se produz depois de 2 meses de praticar uma atividade física intensa, melhorando a relação massa gorda/massa magra, alterada no obeso.
  • Diminuição do IMC, que se associa com diminuição do perímetro da cintura e da relação cintura/quadril.
  • As concentrações de leptina são elevadas na obesidade. Refletem o aumento de massa graxa (Maffei et al., 1995) e a sua resistência à leptina . Essa resistência que pode ser melhorada através da atividade física que favorece o emagrecimento e previne o reganho de peso, evitando a queda do consumo metabólico basal (Björntorp, 1978) e a perda de massa muscular (Forbes, 1991).

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